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Blog de belbruno
 


Um não sem razão...

Belvedere Bruno



Muitas vezes, sinto a rejeição vindo de forma que nenhum motivo exista para que ela se vista com tamanha exuberância. São pareceres baseados em abstrações, medos ocultos e, algumas vezes, egoísmo fantasiado de precauções. Um tremendo "não" à vida espontânea, ao conhecimento de riquezas espirituais, tudo em nome de pré-conceitos que só retardam o prazer de se conhecer a vida em sua forma mais leve, simples e descomplicada, pois, na realidade, o ser humano é o maior dos seus complicadores .
E é aquele negócio de dizer que o sorriso de fulano é sonso , que a voz de sicrana transmite falsidade, que a decantada alegria de beltrano é puro interesse nisso ou naquilo! Um monte de bobagem que a gente ouve por aí em nome da "percepção", do "sexto-sentido", mas que, na verdade demonstra uma profunda incapacidade de se viver. Sim, incapacidade , pois, revestido na vaidade que lhe é peculiar, o ser humano muitas vezes abomina o desconhecido por medo . Mais fácil abominar, deixar para lá, não se aproximar... "Cair em esparrela? Eu, hein?" E assim vamos vivendo, em meio a tantas desconfianças, sorrisos que não se abrem, abraços que não se dão, palavras que se represam... Ou torpedos constantemente lançados como forma de autoproteção.
Meu coração está aberto, minhas palavras saem sem nenhum medo de mostrar ternuras. Olho nos olhos, aqui e ali, e vejo tanta generosidade... O mundo não é um mar de rosas, bem sei, mas querem fazer crer que é um inferno, e discordo.
Digo sim à vida, às pessoas, à solidariedade que vejo em tantas manifestações , aos sorrisos abertos que encontro pelos caminhos.
Que Deus ilumine a mente daqueles que perderam a confiança nas possibilidades de bondade do seu semelhante.



 



Escrito por belbruno às 19h31
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E BOOK

www.ebooks.avbl.com.br/biblioteca2/paxpoesisencantada.htm

Escrito por belbruno às 16h33
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O Curativo

 

Belvedere Bruno

 

Quando chegamos à favela onde morava Severina, ela estava fora de seu barraco, ao ar livre, sentada sobre um banquinho e uma jovem mulher, agachada, limpava a imensa ferida que se formara em sua perna, a ponto de, em algumas áreas, visualizarmos a parte óssea. Com competência, ela limpava todos os cantos da ferida e colocava pomada, espalhando com uma espátula. Preocupada com as moscas, que vinham a todo momento, tinha um grande abano ao lado para enxotá-las. Sabia o quanto seria prejudicial uma delas pousar naquela ferida, já tão difícil de ser tratada.

Severina pertencia ao grupo de idosas carentes que ajudávamos. Na realidade, as assistidas naquele centro comunitário eram quarenta. A maioria acima de setenta anos. Há algum tempo, Severina se ausentara, e sabíamos que tinha uma ferida na perna, porém não imaginávamos que o caso fosse tão grave. Como morava em área conturbada, com tiroteios diários, pedimos a duas assistidas, que eram suas vizinhas, que nos acompanhassem. Era imprescindível a companhia de moradores da área, para que não corrêssemos riscos, despertando desconfianças dos chefões da favela. Isso não nos impediria de estar, de repente, em meio a tiroteios. Mas, o que fazer, diante das necessidades de Severina? O que vi ali me impressionou de forma definitiva.
Quanta miséria! Ratos passeavam sem nenhuma restrição, crianças sujas, desnutridas, e aquele cheiro de imundície, impregnado na atmosfera. Sentia náuseas.
Porém, a moça fazendo o curativo, era algo belo, digno de uma pintura. Observava-a no seu trabalho, e admirava-me com a dignidade dela, que mal tinha um teto para morar, mas que diariamente ali estava para se doar. Estava há meses fazendo o curativo, conseguindo material através de doações.
Pensei: por que não registram tais atos para os noticiários? Por que não divulgam o amor em toda sua plenitude, tal como eu presenciava naquele ambiente de extrema pobreza?
Cheguei-me a ela e perguntei se precisava de alguma coisa.
Respondeu: - Que Deus me dê muitos anos de vida para que eu continue fazendo o meu trabalho.- E mais não disse.
Deixamos cestas de alimentação, gazes, pomadas e medicações diversas para Severina. As demais companheiras fizeram orações, enquanto eu olhava aquele cenário deprimente e indigno de um ser humano habitar.
A noite vinha e, certamente, começariam os tiroteios; não poderíamos permanecer por mais tempo.

Pegamos, então, o luxuoso carro que estacionamos em local distante da favela e, ali, senti ainda mais fortes os contrastes de que é feita esta vida!

Viemos falando sobre Severina, mas meu coração estava pleno daquela moça. A moça do curativo.

 

 

 



Escrito por belbruno às 18h09
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Das contradições...
 
Belvedere Bruno
 

Impressiona  a falta de gentileza que muitas vezes observamos nas relações humanas .  Um simples "obrigado," "valeu," "que legal",  dispensa outras manifestações, mas a impressão que tenho é que custa caro a muitas pessoas dizer essas palavras. Elas  parecem  travadas na alma.
Por mais que me sinta experiente em relação à vida, ela sempre me pega desprevenida em se tratando das reações  alheias.   Nunca devemos esperar demais dos relacionamentos, sei disso, mas me machuca a  indiferença  a  gestos afetuosos.  Um exemplo:  oferecer uma  flor e não receber um sorriso. Sinto falta dessa troca. Quando me dôo, o que espero não é a  intensidade da troca, mas  sentir que passei  afeto. E como sentir, sem a resposta, por mais sutil que seja?  Receber  silêncio é difícil, e ainda não  consegui crescer  emocionalmente para aceitar isso.
 Pode ser que um dia eu consiga entender  as  contradições da alma. Rir e chorar ao mesmo tempo, amar e odiar...  
Enquanto isso não acontece, continuo questionando, admitindo  minhas perplexidades, mas  seguindo meu rumo.   Driblo as mazelas e, a bem da verdade, cá pra nós: estou muito feliz!
 
 


Escrito por belbruno às 18h08
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In- decisões

Belvedere  Bruno

  

            - Nada dá certo pra mim! As pessoas vivem me enganando.Há trinta anos roubaram  todos  os meus sonhos!

Antonieta ,   em sua   condição de sofredora, já  trazia no semblante aquele ar de  amargura.   Os  amigos já não agüentavam , e aos poucos  iam se afastando. É aquele negócio:  há quem curta viver em  tom   noir... 

As escolhas... ah! as  de Antonieta eram sempre fadadas ao fracasso, repetindo  clichés: 

- Vou vender tudo que tenho:  casa em  Búzios,  títulos dos  clubes,  quadros, carros, e sumir do mapa! Vou pra Cingapura. Li sobre esse lugar e fiquei fascinada !  Gente evoluída, e,  quem sabe? talvez, lá, os homens  saibam  tratar  bem uma mulher. Agora, mais essa do  Ney  me assediando... Quando eu queria, nada! Agora que tá falido, que Márcia o largou e ele está  "na estrada",  pegou no meu  pé,  pra  ver se  consegue  se encostar. Quer moleza!   Lá tenho cara de otária?  Ai, que ócio esses finais de semana!  Clube,  televisão com aqueles lixos de programas,  almoço em restaurantes,  sempre vendo  as mesmas caras. Essa cidade   parece   uma província !

Os amigos  saíam de fininho....

- Vade retro!  dizam baixinho a  frase já incorporada às rodas, sempre que  Antonieta surgia.  

Por muitos anos acompanhamos o estilo de vida dela, e agora, aos cinqüenta e cinco anos, como esperar mudanças? Era mesmo o "ame-a, ou deixe-a"!

O carnaval de 2006 traria, no entanto, o inesperado. Estávamos no clube, aguardando-a, no  deck ,   quando o Comodoro se aproximou, dizendo:

- Que surpresa, não?

Olhamos para ele sem nada entender e perguntamos sobre o que falava. Franziu a testa,   riu, e disse: 

- Ontem  à noite, foi a festa de casamento de Antonieta e Ney, aqui  no salão de festa. Buffet finíssimo, DJ, flores por todo lado...  No dia seguinte embarcariam  em lua-de-mel para  a China,  pois   estavam   impressionados  com a evolução ocorrida  naquele país. 

O Comodoro ainda enfatizou que:  

- Antonieta durante todo o tempo dizia: Glória a Deus!  Ney salvou minha vida! Já estava cansada de tudo! 

Perplexos estamos  nós, até agora.

Não recebemos convite, telefonemas, uma frase sequer sobre  a incrível  decisão de Antonieta, agora casada, ao lado daquela "pasmaceira" do Ney, como ela mesma costumava dizer.

- Quanto mais o tempo passa, menos entendo as pessoas! Acho que vou para Heildelberg; quem sabe? lá...

 

 



Escrito por belbruno às 18h06
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Ingratidão

 

Belvedere  Bruno

 

Rita sabia que podia contar com  Sandra sempre que precisasse. Sempre fora assim, desde  adolescentes. Agora, senhoras, com filhos e responsabilidades aumentadas, Sandra ainda apoiava a amiga, como uma espécie de  anjo da guarda.

Logo que Rita começou a sentir aquelas fortes dores de cabeça, Sandra correu de um lado para outro, buscando atendimento médico, pois, como  sempre,  Rita  estava sem plano de saúde, por falta de pagamento. Seu padrão de comportamento era este: descompromisso total com suas obrigações.  Sandra, então, mais uma vez, passou a suprir algumas necessidades da amiga.  Comprava remédios, levava  frutas e biscoitos e, todas as tardes, a visitava para  conversar sobre amenidades, distraí-la.  Os médicos ainda não sabiam qual era o problema de Rita; estavam pesquisando. Sem o plano de saúde, tudo se tornava mais difícil, moroso.

O  que causava admiração a Sandra era a disposição de Rita em sair de casa. Muitas vezes ao chegar, para visitá-la, não a encontrava, e os filhos  dela não sabiam dizer onde estava. Com todas as restrições médicas, não se poupava. Sandra nada comentava sobre as ausências, quando estavam juntas.

Certa tarde, Sandra chega  chegou  à casa de Rita, com uma sacola de remédios, biscoitos e revistas. Rita adorava revistas, principalmente aquelas que falavam sobre artistas, e  fofocas. Sandra   disse , sorridente:

- Trouxe, também, nosso lanche.  Uma surpresa! Mas só vou abrir na hora, pra não perder a graça.  Vamos lanchar antes de sairmos pra consulta. Doutor  Carlos  vai ver todos esses exames que você fez. Bota tempo aí!       

Rita olhou a amiga,  fez  cara de nojo,  e disse:

- Tô cansada disso!  Não quero mais saber de médicos, remédios, nem de conversa fiada! Dona Cleuza, lá do Arsenal, tem me levado a um moço que cura só receitando ervas. Soube de um monte de gente que os médicos não davam jeito, e ele curou.  Há duas semanas, não tomo mais  os remédios que Dr. Carlos receitou, nem vou fazer mais exame nenhum. Até melhorei... Chega de  lenga-lenga!

Sandra olhou, balançando  a cabeça , com ar de tristeza. Rita  colocou as mãos na cintura e disse:

- Não fica com essa cara de Madalena arrependida, não. Eu te pedi alguma coisa? Você fez porque quis.  Me viro  sozinha, ora! 

Sandra saiu,  dizendo:

- Desculpe minha inconveniência. Já tá na hora de perder essa mania  de querer resolver  tudo, pra todo mundo...

Caminhando pelas ruas, chorou,  percebendo que sua presença  sempre fora dispensável dentro daquele, e de muitos outros contextos em sua vida.

 

 



Escrito por belbruno às 18h04
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O ANCIÃO

Belvedere


É tão velho que, todo dia quando o vejo, penso que será a última vez. Ele mingua. Olhando-o, penso nas histórias que deve ter para contar.Como eu gostaria de tomar um chá com ele! Tenho vontade de convidá-lo para, ouvindo-o, sentir se suas idéias têm coerência. Se tiverem, além da alegria de conversar, terei material de sobra para escrever.
Quando nos encontramos, infelizmente é só “Que calor, né?”; “Que chuva, não?” E não passa disso. Os dias correm, e eu na ânsia de pegar seu Raymundo e conversar. Sim, ele é esquivo, não fala senão as coisas convencionais. E vai minguando. Até quando, meu Deus?
Lembro-me do grande desejo que nutri de gravar as fantásticas histórias que meu tio Randolpho contava. Como ele, nunca vi na vida. Ele gostava tanto da suas aventuras que as repetia incessantemente, e mamãe o repreendia: "Você já contou essa, tio Randolpho!”Eu brigava com ela, dizendo: “Deixe ele contar, tudo é tão engraçado! Tão cinematográfico, mesmo sendo real.”

Um dia, titio se foi como um passarinho.
Agora, é essa história de seu Raymundo... Deve estar beirando os cem. Ainda sai, faz compras nas lojas aqui da rua. Hoje o vi com uma bengalinha e perguntei:
— Ué, machucou o joelho?
Ele respondeu:
— Não, é o ácido úrico.
Então expliquei tudo a ele sobre o problema do ácido úrico. Falei que, tomando o remedinho, ele melhoraria. Ouviu, sorriu e disse:
— É, tem jeito, sim.
Senti um frio no peito.
Terei tempo para um chá com ele antes que, como uma peninha, seja levado pelo ar, pela brisa, por um sopro?

 

 



Escrito por belbruno às 18h02
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Despertares

 

Belvedere Bruno


Meus gestos pareciam na exata medida  para agradar àquele que, paradoxalmente,   se transformara em meu porto seguro,  ilha de  prazeres ,  a despeito da  minha total ignorância em relação a sua personalidade no dia-a-dia.

Estaria enveredando por caminhos  perigosos nessa entrega  desmedida, ou simplesmente deixando  a vida  fluir da forma que tão deliciosamente se apresentava?

  Mergulhada nesses pensamentos, vi que o ponteiro do relógio marcava meia-noite e achei por bem deitar-me,   para ver se conciliava  o sono.  Mil pensamentos se misturavam à  excitação   que agora se fixara em mim, a ponto de  nem saber onde começava e  terminava meu eu, e em que lugar se abrigava essa nova criatura na  qual havia me transformado desde  que toda essa loucura começara.    Um  arrepio  percorreu  meu corpo...   Sensações malucas, pensei.  Sorri.

Ao  longe, seu olhar indecifrável  me espreita,   seu sorriso cheio de nuances  me inquieta,    sinto seus braços e me deixo envolver.     

A monotonia, agora,  se passa, não   encontra onde estacionar, e vou me integrando  a  este vibrante universo  , desatando os nós que me prendiam à opacidade de dias frios e vazios.

E vou vivendo manhãs  de cores, sorrindo,  inventando coisas... plena  daquele vigor que julgara perdido.

 

 

 



Escrito por belbruno às 18h00
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O tempo voa

 

Belvedere  Bruno

 

Esperava as águas  de março, quando me dei conta de  que  abril  já   chegara.

Dizer que o tempo voa é lugar comum, mas não deixa de ser surpreendente como ele tem o dom  de transformar as coisas. Há exatamente algumas horas, eu ria, feliz da vida, quando, então, uma notícia fez com que as esperadas águas viessem através de  meus olhos. Num curto espaço de tempo, meu sorriso travou. Em seu lugar, uma interrogação, uma inquietação doída, e  essas lágrimas, que, teimosas, não param de cair.  

Por breves instantes,  certamente numa espécie de  fuga, relembro   minha infância e vejo a fada-madrinha que habitava minhas fantasias...   Logo  retorno  ao hoje, pois não é mais tempo de "faz-de-conta".

Imagino  como seria viver num  mundo onde todos tivessem equilíbrio para conduzir a vida, elaborando perdas e ganhos,  sem sentir  esse vazio que nos toma de forma a não nos permitir sequer espaço para sonhar.

 

Caminhando pelas ruas, vejo  inúmeras bancas nas quais se vendem flores. Tamanho colorido me encanta, de forma que renovo minhas energias através  da própria natureza. Lembro, então, de um velho amigo, Gerard,  que tinha por hábito, abraçar árvores, dizendo que era uma forma de se energizar,  equilibrando  corpo e mente.

Quem sabe? Não custa  tentar. E  ainda é  uma terapia  gratuita.

Brindemos à Mãe Natureza!

 

 

 



Escrito por belbruno às 17h57
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